Caco Barcellos e uma equipe de jovens
repórteres vão às ruas, juntos,
para mostrar diferentes ângulos
do mesmo fato, da mesma notícia.
Cada repórter tem sempre
uma missão, um desafio a cumprir.
Será que eles vão conseguir?
No Profissão Repórter, você acompanha tudo. Os desafios da reportagem. Os bastidores da notícia.




Com o mesmo formato, Caco Barcellos
e sua jovem equipe apresentam
reportagens especiais, mais longas
e com uma abordagem mais profunda.
Para essas edições é reservado um
horário específico na programação
da TV Globo.
CACO BARCELLOS
Apresentador do Profissão Repórter, ele conduz cada programa direto das ruas, onde a notícia acontece. É dele a idéia de mostrar diferentes ângulos da notícia – com a ajuda de jovens repórteres – e de envolver cada profissional da equipe em todas as etapas da produção: da reportagem à edição.

CAIO CAVECHINI
Gosta de incertezas. Da incerteza de uma nova matéria, que precisa ser tratada de forma diferente. Da incerteza de uma entrevista e das perguntas que podem ser respondidas de forma inesperada. Incerteza de preferir participar das matérias nas ruas caóticas ou nas pacatas ilhas de edição. Por estas e outras, aterrissou no Profissão Repórter, um programa imprevisível.

FELIPE GUTIERREZ
Formado em Administração Pública pela FGV e Jornalismo na USP, Felipe ainda está se acostumando com a presença de câmeras em sua vida. Prefere ficar nos bastidores, de preferência analisando gráficos e estatísticas.

GABRIELA LIAN
Se formou em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e também cursa Letras na Universidade de São Paulo, em português e árabe. Já fez parte de grandes equipes como a do Galvão Bueno, do Jornal Hoje e da Globo News.

JÚLIA BANDEIRA
Formada em jornalismo pela PUC-SP, continua seus estudos na área da comunicação. Já produziu e dirigiu um belo documentário sobre Chico Buarque e, durante dois anos, apresentou um programa na TV PUC. Mas a nossa repórter já experimentou um pouco de tudo: foram muitos anos de teatro, junto com aulas de sapateado, dança do ventre, violão, gaita e até boxe.

MARIANE SALERNO
É jornalista formada pela Universidade Metodista. Trabalha na TV Globo desde 2002, quando passou no projeto Estagiar. Já produziu, editou, coordenou, fez um pouco de tudo em TV, como pede o dia-a-dia da redação do Profissão Repórter.

NATHÁLIA FERNANDES
É apaixonada pela cultura francesa desde que morou no país. Formada em jornalismo na USP, há três anos é editora de texto da TV Globo. Esta na equipe do Profissão Repórter desde o primeiro programa, em que também foi repórter em algumas matérias.

 

Direção:
Marcel Souto Maior

Edição final:
Ana Escalada

Edição:
Eduardo Acquarone
Janaina Pirola

Edição de imagens:
Júlio Inácio
Paulo Rodrigues

Imagens:
Emílio Mansur
Mikael Fox

Arte:
Gustavo Duarte
Daniel Guimarães

Com apenas dois meses no ar,o Profissão
Repórter já ganhou o V Prêmio Jovem
Brasileiro, como "melhor quadro de conteúdo jornalístico produzido e apresentado por jovens". O programa também
mereceu um voto de aplauso da
Assembléia Legislativa do Maranhão
pelas reportagens sobre a história dos
cortadores de cana que morrem
por exaustão no trabalho.
26.10.06
"LÁ EMBAIXO"



Não é novidade que os gaúchos têm suas particularidades. As casas, por exemplo, são diferentes das de São Paulo. São construídas com alvenaria (eles dizem “material”) na fundação e com madeira nas paredes e no teto. O traçado das ruas também é inusitado para o Brasil. Em vez das curvas que se dobram à geografia, retas e paralelas.

Dentro das casas também há diferenças em relação às outras do país. Muitas têm dois fogões: um à lenha, só usado no inverno, e outro à gás.E não é só a paisagem construída que tem suas peculiaridades. “Torrada” é misto-quente. Não dizem “frango”, dizem “galinha”. Não é “sítio”, mas “colônia”. E quando se referem a R$ 5,50 falam “cinco com cinqüenta”.

Eles têm bastante orgulho de suas idiossincrasias. Sempre se referem ao resto do país como “lá em cima” ou “lá no norte”. Quem vai muito “lá para cima” são os caminhoneiros. A região é coalhada de caminhões e seus motoristas. Adilo Alessia é um. Na conversa com ele, sobram críticas à polícia rodoviária. Reclama dos constantes achaques que ele e os três filhos, também caminhoneiros, sofrem. “Teve uma vez que um guarda me pediu um café. Como eu tinha uma garrafa térmica, servi o cafezinho para ele”, relata, entre risadas.

“Às vezes o guarda vem revistar. Antes de ele entrar, já digo que é a minha casa. É como se ele tivesse falando, ‘deixa eu entrar na sua casa’. Já aconteceu de entrarem e darem de cara com as duas nenês deitadas ali e pedirem desculpas!” Quem conta é Vanuza Arendt. Ela é uma das poucas mulheres que se aventura a dirigir, e não apenas a acompanhar. As nenês são as gêmeas Michele e Camila, que agora estão com cinco anos e que passaram a vida quase inteira na boléia com a mãe e o pai (também caminhoneiro).

O caminhão é a casa porque as famílias vão inteiras para dentro da boléia. Normalmente as mulheres acompanham os maridos até a idade escolar das crianças. Depois param. “Quando casei, viajei direto. Engravidei, tive o menino. Criei ele no caminhão. Depois, quando ele foi estudar, veio a menina, daí eu desisti. E nas férias eu vou. Adoro viajar”, diz Sandra, uma gaúcha com forte sotaque que nos recebeu em sua casa.

Hoje ela fica estacionada em casa. Mas monitora o marido caminhoneiro com um rastreador e um rádio. “Acho que a gente tem que confiar desconfiando. Mas é um modo de saber onde está o marido! Parou tantas horas? Diz por que ficou parado tantas horas. Ele dá a explicação, se é verdadeira eu não sei...”, conta Sandra, ao lado do marido Fernando, um tanto encabulado.

*Felipe Gutierrez

postador por: redação profissãorepórter
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25.10.06
“VANUZA”




- Até se tu for conversar comigo fica até chato, porque é só caminhão, só sai caminhão!

Vanuza Conceição nasceu em Aliança do Tocantins, uma cidadezinha que só é conhecida entre os caminhoneiros, graças ao posto de gasolina que existe lá. Na única foto de infância ela aparece com cerca de três anos entre dois enormes caminhões. Sua vida girou em torno destes veículos até a morte de seu pai, que era caminhoneiro, aos oito anos de idade.

Os caminhões voltaram à sua vida quando Vanuza tinha 17 anos. Foi quando conheceu Marcos Arendt, filho de agricultores do interior do Rio Grande do Sul, que viajava de carona com um amigo. Juntos, brigaram pela paixão que os unia: a estrada.

- Os pais dele têm uma colônia em Carazinho, no interior do Rio Grande do Sul, e não queriam que o filho fosse para a estrada. A minha mãe e a minha irmã também. Foi difícil, mas acabamos convencendo eles.

Já casado, Marcos conseguiu emprego em uma transportadora e começou a “puxar lavoura” no Mato Grosso, transportando soja das fazendas para os silos de armazenagem. Foi nestas idas-e-vindas que Vanuza aprendeu a dirigir. Em pouco tempo, já dividia a direção do caminhão com o marido.

- Eu ensinei ela a dirigir. Eu confio mais nela dirigindo do que ela em mim - , diz Marcos.

Os olhos de Vanuza brilham quando ela fala do marido. Ela mostra, orgulhosa, a foto dos dois em frente ao caminhão, tirada após uma longa viagem.

- Este é o meu caminhoneiro! O Marcos, mas aqui na cidade é o “Amendoim”. Ele agora está no Mato Grosso.

A vida de Vanuza acaba de mudar. Depois de nove anos morando no caminhão com o marido, ela acabou engravidando. Continuou viajando até o oitavo mês.

- Eu tinha um médico aqui em São Marcos e outro em Tocantins. Eles disseram que eu tinha que parar de viajar no sexto mês... Nessa época a gente transportava madeira no Pará e às vezes eu subia na carreta para ajudar a arrumar a carga. Os carregadores ficavam impressionados comigo, com aquele barrigão, ali em cima.

As gêmeas Camila e Milena já estavam na estrada aos dois meses de idade. E cresceram na boléia. Mas Vanuza sempre soube que teria que mudar de vida.

- Eu sabia que este momento ia chegar, mas não está fácil. Agora eu tive que montar casa.

Com cinco anos as gêmeas chegaram à idade escolar e exigiram sacrifício por parte da mãe. Agora Marcos viaja sozinho, enquanto ela tenta organizar uma casa pela primeira vez. Sua cabeça continua na boléia.

- Eu só durmo depois que ele pára num posto e me liga. O rastreador do caminhão sou eu!

Hoje Vanuza procura um emprego que não a afaste nem das filhas nem do caminhão. Está tentando uma vaga para transportar caçambas de areia em uma cidade próxima, mas ainda não é certo. Viagens longas, agora, só nas férias.

*Juliana Maciel
postador por: redação profissãorepórter
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